Sou isso, sou aquilo,
Mas no geral sou eu mesmo.
Relaxado, debochado, divertido, alegre,
Companheiro, veadinho, ranzinza, enjoado...
Vai saber?
Mas no geral, sou eu mesmo.
Não preciso de um corpo para ser, apenas vou sendo
O sexo, a biologia que se descabele tentando explicar
A psicologia que cometa suicídio tentando entender
Orlando que me abençoe, porque aí sim, fui contemplado.
Posso ser mãe, posso gerar um filho e dá-lo à luz,
Posso ser um insensível leitor matinal de jornais
Que não nota se o cabelo da consorte é loiro ou azul.
Posso ser a lágrima que escorre no rosto da pura
Donzela de vermelho à mercê dos desejos alheios,
Posso ser o músculo que se contrai no apertar de um gatilho.
E depois de tudo isso, que decido abreviar até aqui,
Já nem sei mais se sou eu mesmo
E olha a minha cara de quem está preocupado!
Enfim, e você... Quem é?
Estou sentindo um silêncio de espanto, e olhos esbugalhados...
Acho que pra variar, falei demais sobre mim mesmo.
Vamos ouvir um pouco sobre você,
Aposto que no fim, quem estará boquiaberto serei eu
E nessa coisa toda
Sei que nos identificaremos mais do que se fôssemos dois e dois
Somando um belo quatro.