O Escritor
Tudo ao que a pós-modernidade me relegou foi a ter um blog quase fantasma onde me expressava livremente. Mas dois enganos, um era sobre a expressão, às vezes bem, às vezes mal, tentava sem muito sucesso marcar de alguma forma minha passagem pelo novo esquema de notações íntimas. O segundo era a liberdade, tanto certa moralidade quanto o temor de que ela me causasse males mentais e/ou físicos, e sendo assim nunca pude afirmar que me era possível exprimir idéias, devaneios, sentimentos e afins livremente. O fato é que comecei isso tudo após sentir algumas dores e ler alguns livros e contos que me incentivaram a tal.Pensei: “ora, vê este aqui. Um bom livro, numa editora qualquer, originalmente publicado no século dezenove, mas que graças a essa mesma editorazinha e aos meus impulsos de leitor o escolhi, e penso que através de sua obra e através de mim, o autor ganha vida novamente”. Foi ótimo divagar sobre as glórias de ser imortal, e foi esse anseio que me ligou imediatamente ao impulso da escrita, não foi outro senão o pensamento na morte. Mas dali a pouco pensei: “se o homem está morto desde dois séculos atrás, e se o leio hoje é realmente lisonjeiro, mas se ele vivesse de fato, ganharia algo com isso”. Eis o que ninguém me tirava da cabeça.
A falência na qual os escritores e pensadores mortos estavam bem acomodados, não me fazia muito sentido, porque foram usurpados nas raízes dos seus direitos, e o tempo só lhes era como um vilão caricato... dois séculos... isso era mesmo de se ressentir, tanto por eles, quanto por mim mesmo em qualquer antecipação esdrúxula de um vislumbre caquético de um futuro remoto. Pensei: “bom, talvez não seja o caso apenas ter um nome, a imortalidade que busco não é em si causa e consequência, é para além disso! Ela toca o outro gentilmente”. Não levou dois segundos e me veio à mente todas as gentilezas que recebi do mundo até então... “dane-se a gentileza, incomodar é preciso!”.
Mas esse altruísmo, vos confesso, pouco me convenceu e digo que quase certamente, pouco vos comove. Chegando a esta conclusão, movi-me de um estado de preocupação constante e letárgica com o nome, com o “eu” abstrato separado do “eu” concreto, e ouvi o que minha mãe disse “vá orar!”. Sem estranheza alguma, enquanto conversava com Deus nadava em todas as direções no fluxo de pensamentos novamente com ele, afinal de contas se sinto que posso dividir algo a fiel detalhamento é com um Deus. E depois de toda a rotina, de percorrer as vias sacras do egoísmo moderno tardio, me joguei na graça e logo que pude marquei um médico. Sem mais delongas aceitei me diluir no mar destes tempos. Aceito que não me lembrarão por mais de um mês através de meus escritos. Mas marquei logo o doutor, e chega de pensar, porque sábado à noite já tem folia!
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