segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Meus cabelos se misturam com as estrelas
E com os céus fazem um cobertor
Que cessa o frio
É um rio
Onde me lavam as feridas
Deitado, colho uma flor
Que deslancha numa chuva de perfume
E me aviva a alma
Caindo sobre mim
Sem que me arda a pele.
O antídoto para o mal
Dançando no umbral
Ao sonhar... ao sonhar.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Um Amor Pelo Mundo
A Agonia De Dentro Para Fora
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Submersion in the Inverted River
O Segredo da Manutenção da Vida
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Condição de Momento Bom
quinta-feira, 29 de março de 2012
E Você É...?
Sou isso, sou aquilo,
Mas no geral sou eu mesmo.
Relaxado, debochado, divertido, alegre,
Companheiro, veadinho, ranzinza, enjoado...
Vai saber?
Mas no geral, sou eu mesmo.
Não preciso de um corpo para ser, apenas vou sendo
O sexo, a biologia que se descabele tentando explicar
A psicologia que cometa suicídio tentando entender
Orlando que me abençoe, porque aí sim, fui contemplado.
Posso ser mãe, posso gerar um filho e dá-lo à luz,
Posso ser um insensível leitor matinal de jornais
Que não nota se o cabelo da consorte é loiro ou azul.
Posso ser a lágrima que escorre no rosto da pura
Donzela de vermelho à mercê dos desejos alheios,
Posso ser o músculo que se contrai no apertar de um gatilho.
E depois de tudo isso, que decido abreviar até aqui,
Já nem sei mais se sou eu mesmo
E olha a minha cara de quem está preocupado!
Enfim, e você... Quem é?
Estou sentindo um silêncio de espanto, e olhos esbugalhados...
Acho que pra variar, falei demais sobre mim mesmo.
Vamos ouvir um pouco sobre você,
Aposto que no fim, quem estará boquiaberto serei eu
E nessa coisa toda
Sei que nos identificaremos mais do que se fôssemos dois e dois
Somando um belo quatro.
O Melhor Desabafo Em 26 Anos
“Do pó viemos e ao pó voltaremos”
Foi o que me disseram num domingo desses.
Mas a sensação geral no turbilhão de infinitas coisas que me tomam
É que do pó eu vim e no pó estou.
A mesma sujeira que deixei em um prato,
Dos segundos que se contam do início ao término da limpeza
E da noção de tempo perdida em um dos milhares de caminhos
Ao nirvana, ao paraíso, à iluminação e por aí vamos.
Preguiça?
Sim, mas é claro! Enquanto houver humanidade
Haverá preguiça.
Mas ela é pouca, e quando no máximo é a mesma
Já velha conhecida. A verdade é que não tenho muita atenção a lhe dar.
Um som agudo me acorda no meio da noite, me faz desviar um pouco
A rota, eu em meu super veículo,
(Às vezes lento como uma nuvem, e rápido como um furacão)
Se eu o entendo, e não é bom,
Ponho-me a falar nem que seja comigo mesmo
Apenas para chegar a uma conclusão
De que do pó eu vim e que no pó eu estou.
Aí já vi demais!
Já passou da hora!
É quando perdi todas as vias que achara possíveis
De se trafegar
Terei novamente o trabalho de catar uma a uma
Exatamente como se catasse feijões (infinitamente)
Desse pé que nasce em qualquer canto.
Isso me faz lembrar que dessa vez estou determinado:
Do pó eu vim, no pó estou, mas ao pó não retornarei!
Mas... não estou certo se era sobre isso que eu falava mesmo, era?!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O Caso da Alimentação
Cinzas
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Viva Dama
Anabela recebeu uma flor, colorida como todas as suas cores. Essas cores brilhavam e suas bochechas ficaram de um vermelho que se destacou. Ela agradeceu a oferta e com muito amor se pôs a admirar o presente. Entre uma olhada e outra, podia-se perceber Anabela levando a flor ao rosto, tentando sentir seu lúdico odor, como se ninguém mais estivesse ali. O homem gentil, que conhecia muito bem os vértices do ser humano, percebeu os gestos de Anabela, e descobriu que o presente fora para si mesmo, ver a formosa moça tão contente deleitando-se com uma flor. Ele sorriu um sorriso lindo, e ela verteu lágrimas que lavaram o mundo, lágrimas que formaram uma cascata que foi capaz de desmanchar o homem e o tornar líquido, porque era o que buscava. E a profecia da libertação se cumpriu. Anabela conservou a flor por uns cem anos mais, junto a algumas coisas boas do mundo.
A Vida dos Pequenos Gatos
A espera foi longa porque o sol estava um pouco preguiçoso para amanhecer, e demorou muito mais a sair. Mas todos estavam atentos, era a mesma coisa de sempre, Miruel a tagarelar e Julieu a dormir, respondendo com apenas um miado cansado, ao ser questionado sobre alguma coisa. Todos os grandes felinos por ali passavam majestosos, com destino certo para onde quer que fossem. E isso contrastava muito com a fragilidade dos dois gatinhos. No entanto, suas resoluções não os permitiam ater-se a tais coisas por muito tempo, ao menos não conscientemente.
E finalmente, em um lindo espetáculo que lhes valeu a espera, já bem acordados — porque o bicho do incômodo lhes levara o sono de cochilar. Sete anjos vieram anunciar o novo dia a Miruel e a Julieu:
— Vistes? Como valeu a pena! — Miou animado Miruel, enquanto Julieu apenas contemplava a infinita formosura das divinas e imensas asas das criaturas celestiais.
Respirando daquela agradabilíssima atmosfera, os pequenos felinos foram envoltos pelas penas sagradas das asas dos anjos, que lhes tomaram nos braços e disseram:
— É de desconhecimento de muitos dos grandes gatos da Terra, que não deveis temer a areia da vida, porque sois vós também Deus em sua graça e magnitude.
Com regozijo sem igual, e um transe do qual jamais desejaram sair, Miruel e Julieu cantaram junto com os anjos. E quando o maravilhoso ritual da vida se cumpriu, tudo o que fizeram foi olhar uns aos outros, sorrir e partir com a certeza de que se havia feito a justiça em qualquer aspecto que se pudesse pensar. No outro dia, eles já não estavam lá.
O Vinhedo
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
06/02/2012
A memória mais triste que tenho
É a de uma jovem
Que vi estrangulada em seus próprios cabelos
Longos e soltos.
Dizem que adormeceu querendo que eles fossem a noite,
Abrigando as estrelas e a Lua
E que num movimento errado ou dois
Engancharam-se em volta de seu pescoço.
Nesse dia ficou nublado,
E choveu muito.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A Força dos Outros
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Outra do Leão e do Rato

Um dia, vinha conversando consigo mesmo a decidir se rebaixaria o Rato à classe dos insetos — como se mandasse nisso também. Tateando o chão como quem estava a pisar nuvens, de peito cheio e cabeça erguida, o olhar em direção ao horizonte não o permitiu perceber bem o seu caminho, uma armadilha e pronto! Inicialmente, seu orgulho não o deixara pedir ajuda, mas quanto mais tentava escapar aos trancos, mais sua pata se machucava. Foi quando finalmente emitiu rugidos de socorro.
O cavalo arqueou a boca como se risse e trotou em direção oposta. O veado deu de ombros e saltitou rumo à colina mais próxima. A hiena... essa riu. O único leal o bastante para salvar sua Majestade era o Rato. “Vossa Majestade será salva!”, e então se pôs a roer as cordas com afinco e dedicação. Pouco depois as amarras que prendiam o Leão tinham sido rompidas. Assim que saiu delas, golpeou de maneira violentíssima o seu salvador e disse:
— Duas coisas. Uma que jamais me permitiria ser salvo por semelhante escória. E outra que não permitirei que saibam que me salvastes.
Em seguida engoliu vorazmente o Rato numa volúpia tão letal que a alma de sua presa pairou no ar por alguns instantes, separada de seu corpo, porém ainda viva. Com a voz a esmorecer e trêmula, ele perguntou:
— Por quê?
— Porque eu posso! — Respondeu imponentemente o Leão, enquanto se dirigia cabal de volta ao seu trono.
Moral da história: O Rato danou-se!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Comoção
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Diana
O Escritor (Texto Introdutório)
Pensei: “ora, vê este aqui. Um bom livro, numa editora qualquer, originalmente publicado no século dezenove, mas que graças a essa mesma editorazinha e aos meus impulsos de leitor o escolhi, e penso que através de sua obra e através de mim, o autor ganha vida novamente”. Foi ótimo divagar sobre as glórias de ser imortal, e foi esse anseio que me ligou imediatamente ao impulso da escrita, não foi outro senão o pensamento na morte. Mas dali a pouco pensei: “se o homem está morto desde dois séculos atrás, e se o leio hoje é realmente lisonjeiro, mas se ele vivesse de fato, ganharia algo com isso”. Eis o que ninguém me tirava da cabeça.
A falência na qual os escritores e pensadores mortos estavam bem acomodados, não me fazia muito sentido, porque foram usurpados nas raízes dos seus direitos, e o tempo só lhes era como um vilão caricato... dois séculos... isso era mesmo de se ressentir, tanto por eles, quanto por mim mesmo em qualquer antecipação esdrúxula de um vislumbre caquético de um futuro remoto. Pensei: “bom, talvez não seja o caso apenas ter um nome, a imortalidade que busco não é em si causa e consequência, é para além disso! Ela toca o outro gentilmente”. Não levou dois segundos e me veio à mente todas as gentilezas que recebi do mundo até então... “dane-se a gentileza, incomodar é preciso!”.
Mas esse altruísmo, vos confesso, pouco me convenceu e digo que quase certamente, pouco vos comove. Chegando a esta conclusão, movi-me de um estado de preocupação constante e letárgica com o nome, com o “eu” abstrato separado do “eu” concreto, e ouvi o que minha mãe disse “vá orar!”. Sem estranheza alguma, enquanto conversava com Deus nadava em todas as direções no fluxo de pensamentos novamente com ele, afinal de contas se sinto que posso dividir algo a fiel detalhamento é com um Deus. E depois de toda a rotina, de percorrer as vias sacras do egoísmo moderno tardio, me joguei na graça e logo que pude marquei um médico. Sem mais delongas aceitei me diluir no mar destes tempos. Aceito que não me lembrarão por mais de um mês através de meus escritos. Mas marquei logo o doutor, e chega de pensar, porque sábado à noite já tem folia!




